quarta-feira, 28 de abril de 2010

Língua solta



Encontrei José Alves Costa no balcão de seu bar na beira da rua, em Plácido de Castro. Aos 86 anos, sem camisa, ele não parece ter se esquecido de nada do que passou como soldado da borracha. Desfia as histórias sobre a perseguição do submarino alemão ao navio em que vinha para o Acre como se tivesse acontecido ontem. Diz que tirava de 30 a 35 latas de leite (látex) por dia. E, dedos em riste, não acredita que a aposentadoria (dois salários-mínimos, sem décimo-terceiro) vá ser equiparada a dos pracinhas (sete salários). Quando pergunto sobre os bichos da mata nos tempos em que viveu no seringal, abre o verbo: "Onça não faz medo, faz medo é cobra e cabra ruim". Digamos que seu José sabe se defender.

Um comentário:

  1. Onça nunca fez medo ao povo Noderstino, cabra da peste...

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