João Alves da Cruz e Justino Antônio de Souza formam uma dupla inusitada, com quem estive na tarde passada em Plácido de Castro. João, moreno e de fala apaziguada, parece um rei caboclo, sem afobação. Justino, 82 anos, cearense, alto e branco, ainda guarda o ímpeto que fez dele líder e amansador de índios, a pedido do patrão seringalista.
João, 83 anos, nascido no Pará, foi seringueiro perto do Rio Tapajós, a serviço de norte-americanos, durante a Segunda Guerra, me fazendo pensar que ainda há muita coisa a ser melhor esclarecida sobre esse período na Amazônia.
Justino lembra com orgulho ter escapado de ir para a guerra durante exercícios para as tropas em Fortaleza. Lá, segundo ele, os governos norte-americano e brasileiro convocaram 66 mil brasileiros para lutar na Amazônia: "Por causa da falta de borracha para fazer bomba, os americanos estavam perdendo a guerra".
De uma maneira ou de outra, todos os soldados da borracha com quem converso me perguntam sobre a questão do reajuste da aposentadoria. Sem querer frustá-los, lembro a eles que a maior fortuna que têm é a história que (ainda) podem contar.