sexta-feira, 23 de julho de 2010

Enquanto isso, na Usina de Arte...


Em 25/06, aquecendo os motores para o início das filmagens, Susanna Lira e eu promovemos a palestra "O processo de realização e produção do documentário 'Soldados da Borracha", dirigida principalmente aos alunos do curso de cinema da Usina de Arte, em Rio Branco. (A Usina de Arte é uma antiga fábrica de beneficiamento de castanhas que foi restaurada e transformada em centro cultural para cursos livres, no estilo do Dragão do Mar, em Fortaleza. É uma lindeza!). Como o encontro antecedia as filmagens e foi em um dia de jogo do Brasil (melhor não lembrar dessa parte!), eu não tinha muita expectativa de público. Mas, para minha surpresa, estudantes e outros convidados não só lotaram o cineclube, como fizeram muitas perguntas relevantes.

Em 26/06, aproveitando a viagem, foi a vez da apresentação do longa-metragem dirigido por Susanna, "Positivas", no mesmo espaço, na Usina. O documentário mostra personagens soropositivas que foram infectadas por seus companheiros. É uma questão polêmica e comentada no filme, por personagens sem medo de expor, de diferentes partes do Brasil. Susanna disse que foi o melhor debate do qual participou pelo país afora, além de Argentina e França. Fiquei orgulhoso dos conterrâneos!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Lua Cheia de São João



Em 24 de junho, Susanna e eu aterrissamos em Rio Branco para verificar os últimos contatos de produção antes da chegada do restante da equipe, que também seguiria do Rio de Janeiro. Com a ajuda de Marilda, que tinha feito a pré-produção de personagens, e de Cecília, minha irmã, reencontramos "seu" Walter e "seu" Antônio, soldados da borracha, para combinar horários e locações. Ficava cada vez mais claro que era importante incluir não apenas os soldados da borracha que foram do Nordeste para a Amazônia durante a Segunda Guerra Mundial, mas também os acreanos que lá trabalharam na exploração de borracha, ensinando seu ofício aos "brabos", como eram chamados os migrantes. 
Eu estava obcecado por montar um plano de filmagens detalhado com horários bem definidos, com temor de que os velhinhos trocassem datas ou desistissem de participar do filme na última hora. De minha parte, tinha desistido de incluir "seu" Sebastião, morador do Quinze, no filme, porque ele se mostrara bastante contido em suas declarações durante a pesquisa de personagens. 
Ainda na noite do dia 24, estive com Cecília e Wellyton, meu cunhado, no arraial do Bujari (vila próxima a Rio Branco), promovido pela igreja católica, que ainda tem presença marcante no Estado do Acre, assim também como diversas outras religiões das quais é possível ver igrejinhas salpicadas por ruas e estradas. A Lua Cheia, "patrocinadora" dessas filmagens, aparecia entre as bandeirinhas, em meio ao ar  refrescante da proximidade da mata, enquanto Cecília observava caminhões sorrateiros que passavam carregados de madeira, certamente driblando exigências legais. Faltou luz por um breve período e foi difícil roubar uma foto da Lua. Mesmo com a produção bem encaminhada, desconfiado, eu queria reconfirmar cada item planejado, contrastando com o otimismo de Susanna e Marilda e a firmeza de Cecília, que passou a ajudar de perto com sua experiência como "produtora" e fundadora da Apae de Rio Branco. Para mim, tudo ainda estava por fazer.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Equipe

DIREÇÃO E ROTEIRO: CESAR GARCIA LIMA






Jornalista, poeta e professor-convidado do curso de Especialização em Jornalismo Cultural da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), onde também cursa o doutorado em Literatura Comparada. Trabalhou como crítico de cinema em diversas publicações de São Paulo, incluindo Folha da Tarde, Folha de S. Paulo e SET, promovendo periodicamente oficinas sobre documentário e criação literária. Escreveu sobre televisão nas revistas ISTOÉ e Contigo!, onde foi editor-chefe. Foi roteirista do Telecine e editor-chefe do Canal Brasil, no qual dirigiu documentários em Minas Gerais, Ceará e Mato Grosso, tendo criado o programa “Coisas de Cinema”.







PRODUÇÃO-EXECUTIVA: LUCIANA FREITAS




Jornalista, trabalha há 12 anos no mercado audiovisual abrangendo programas de televisão, documentários e produções independentes. Hoje é sócia-diretora da Modo Operante Produções, tendo sido produtora-executiva dos documentários em longa-metragem “Positivas” e “Nada Sobre Meu Pai”. Atuou também na produção executiva da Mostra de Cinema “Câmera, Close!”, no CCBB do Rio de Janeiro, e do filme em curta-metragem “Mãos de vento e Olhos de Dentro (2007). Também é responsável pela produção-executiva da Mostra de cinema “Maria Gladys – Atriz brasileira”, realizada na Caixa Cultural – RJ. (2007) e do documentário “Em direção a Ithaka” (2006), que acompanha o multiartista californiano Darin Pappas durante seu processo criativo na cidade do Rio de Janeiro.





PRODUÇÃO-EXECUTIVA: SUSANNA LIRA



Formada em jornalismo e publicidade com Especialização em Telejornalismo, direção de documentários e programas de TV. Atua no mercado audiovisual desde 1994, tendo realizado diversos trabalhos exercendo funções distintas para os seguintes veículos de comunicação: TV Globo, Globonews, Multishow, GNT, Futura, TV Cultura, TV Brasil e MTV. É sócia-diretora da Modo Operante Produções desde 2004, tendo dirigido os documentários de longa-metragem “Positivas” e “Nada Sobre Meu Pai”, além de ser diretora e roteirista do curta “Mãos de Vento e Olhos de Dentro” (Prêmio Edital do MINC/TVE Rede Brasil Curta Criança e Prêmio Melhor filme Goiânia Mostra curtas). Em 2005, dirigiu o documentário “Câmera, Close!”, uma biografia do ator Jorge Loredo, intérprete do personagem Zé Bonitinho, ícone do humor nacional, exibido pelo canal GNT.




DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: PEDRO FAERSTEIN




Graduado em cinema pela Universidade Federal Fluminense (Niterói, RJ), realizou trabalhos como diretor de fotografia, câmera e still de curtas, longas-metragens de ficção e documentário, atuando também em publicidade. Em sua filmografia destacam-se a direção de fotografia dos documentários “Positivas” e “Nada Sobre Meu Pai” (2009), ambos dirigidos por Susanna Lira, e do curta “Boca a Boca”, de Allan Ribeiro (2002), indicado para o prêmio de melhor fotografia estudantil na premiação da ABC 2004. Em still, seu trabalho mais conhecido é o filme “Se Eu Fosse Você”, de Daniel Filho (2005). Recentemente, atuou como câmera no documentário sobre Sylvester Stallone realizado durante a filmagem do filme “The Expendables” (2009).





SOM: ETIENNE CHAMBOLLE



Graduado como técnico de som pela École Louis Lumière, em Paris, onde nasceu, trabalhou em diversos projetos audiovisuais. Desde 2002, é produtor-executivo de sua própria empresa, a Flight Movie, tendo sido responsável por vários documentários para cinema e televisão, entre os quais se destacam LatinoAmericana 2002 (selecionado para Festival Documenta 2010 e Festival de Cine Pobre de Cuba 2010) e Cinéastes à tout prix (Seleção oficial do Festival de Cannes 2004). Como diretor, realizou "Les Ballons Pirates de Rio", Prêmio do público de melhor filme no Festival Du Film Aérien (Suíça, 2004). Como técnico de som em cinema e televisão, atuou em mais de 20 documentários. Entre 2001-2003, atuou como professor na Université Paris 1, Panthéon-Sorbonne, nos cursos de Licence et DEUG Arts du Spectacles (Technique du son et de la post-production audionumérique). Radicado no Brasil em 2010, vem ao país desde 1996.


ASSISTÊNCIA DE FOTOGRAFIA: MICHELLE DIAS



Formada em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (Niterói, RJ), participou de uma série de filmes nos formatos de vídeo, HD, 16 e 35 mm, desempenhando funções diversas como: direção de fotografia, assistência de câmera e still. Trabalhou na empresa Herbert Richers como revisora de filmes (controle de qualidade) e como assistente de edição nas novelas Floribella e Paixões Proibidas, ambas exibidas pela Rede Bandeirantes de Televisão. Atualmente é free lancer em filmes publicitários e dramaturgia nas funções de assistente e operadora de câmera. Entre outros trabalhos, destacam-se os programas Tira Onda e De Cara Limpa. (Multishow, Urca Filmes - RJ).

domingo, 4 de julho de 2010

Nós do filme


Hoje, 05 de julho de 2010, será o último dia de filmagens dos "Soldados da Borracha". Mal tive tempo de dormir, muito menos de postar alguma notícia aqui, mas farei uma seleção de "Melhores Momentos". Para começar, digo que tudo foi muito bom e acima das expectativas. Vamos encerrar esses dias com ótimo material e saldo positivo de personagens.

Eis aqui meus companheiros de peripécias pelo Acre:

Pedro Faerstein (camiseta verde): Diretor de Fotografia;
Michelle Dias (camiseta branca): Assistente de Fotografia;
Etienne Chambolle (microfone em punho): Técnico de Som;
Eu, Cesar Garcia Lima (camiseta estampada): Diretor
Susanna Lira (camiseta com texto): Produtora-Executiva.

Para completar a trupe havia Marilda Alves (Produção Acre) e José Decleio (motorista), que escaparam desse clique. 

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Clipping: Matéria sobre o filme publicada no Jornal Ä Tribuna"do Acre.









O jornalista, professor e poeta acreano César Garcia Lima teve o seu trabalho elogiado no Congresso Nacional, na tarde de ontem (29), em reconhecimento ao desafio lançado por ele para produzir o documentário “Soldado da Borracha”, cujas gravações terão início nesta semana no Estado do Acre. 
A homenagem foi feita em pronunciamento da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB), autora do relatório já aprovado em comissão especial que eleva a pensão dos ex-seringueiros de dois para sete salários mínimos, e que obriga a União a pagar gratificação natalina aos nordestinos recrutados para extrair o látex durante a Segunda Guerra Mundial.

“Merece ser reconhecido aquele que sai para estudar lá fora, mas volta às suas origens por que continua envolvido com a nossa história”, disse Perpétua. César Garcia Lima, também diretor e roteirista, leciona disciplinas ligadas ao Cinema e a Literatura na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Crítico de Cinema em jornais como Folha da Tarde e Folha de S. Paulo, ele atuou como roteirista dos canais de TV à cabo Telecine, e pesquisa a trajetória dos soldados da borracha há mais de 8 anos.

Garcia entende ser justa e inadiável a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que, a partir da iniciativa da deputada acreana, irá elevar para R$ 4,1 mil a pensão especial a que eles têm direito. Após a homenagem, Perpétua alertou a mesa-diretora da Câmara Federal sobre a idade avançada destas pessoas, e a necessidade de se votar logo a PEC dos soldados da borracha, o que pode ocorrer antes do recesso do meio do ano.

“Tenho certeza de que se estas pessoas fossem mais jovens, teríamos condições de mobilizá-las e fazer pressão em Brasília. Aqui nesta Casa as coisas andam mais quando existe pressão popular. É o que fazem, por exemplo, em torno da PEC 300, que prevê o piso nacional para Corpo de Bombeiros, Policiais Civis e Militares”, comparou a deputada.

O documentário “Soldados da Borracha”, um média-metragem com duração de 30 minutos, tem apoio do Governo do Acre, através da Fundação Elias Mansour, e é um dos vencedores do Etnodoc 2009 – edital criado para apoiar a documentação e difusão do patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro. O filme ficará pronto em outubro e será realizado em parceria com a Modos Operante Produções, sediada no Rio de Janeiro, e já tem garantias de veiculação nas TV’s públicas. Será inscrito na Mostra Internacional do Filme Etnográfico de 2010, além dos principais festivais de cinema do Brasil e do exterior.

O filme mostrará imagens de Rio Branco, Plácido de Castro e Xapuri, onde os soldados da borracha ainda vivos mantêm a memória acesa e não sucumbem à infelicidade, mesmo que o outono de suas vidas tenha chegado, diz a sinopse.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Contagem regressiva para as filmagens


Depois de pouco mais de um mês de produção intensiva, conseguimos o importante apoio do Governo do Estado do Acre. Agora começa a contagem regressiva para o início das filmagens em Rio Branco, em 28 de junho. E ainda iremos também a Plácido de Castro e Xapuri. A "expedição" dura até 06 de julho.
No dia 25, a produtora-executiva Susanna Lira e eu faremos a palestra "O processo de criação e produção do documentário Soldados da Borracha" na Usina de Arte, às 19h, em Rio Branco.
A idéia de filmar no período das festas juninas me anima bastante, porque o calor está um pouco mais ameno, além do clima festivo dos arraiais, com boa comida e quadrilhas.
Na foto 3X4, um dos nordestinos que foi para o Acre durante a Segunda Guerra. Mas muitos outros já trabalhavam na Amazônia nessa época e o filme vai mostrar o que foi feito dos sonhos de vários deles.

terça-feira, 4 de maio de 2010

De volta à cidade ruidosa


De volta ao Rio de Janeiro desde domingo, os ruídos me assaltam. Assaltam mesmo, porque tiram minha paz: buzinas, celulares, pessoas que passam na rua discutindo o futuro sem prestar atenção no presente. Definitivamente conectado às mazelas urbanas, o Acre ainda guarda espaço para algum silêncio, mesmo que duramente cultivado. Inevitável lembrar dos versos de Drummond no poema "Explicação": "No elevador penso na roça,/ na roça penso no elevador."
Em meu cotidiano pouco previsível, começo a desenhar a agenda das filmagens em Rio Branco no final de junho. Estou me sentindo um pouco como um soldado da borracha chegado recentemente do Nordeste diante da escuridão do seringal e do rugido das onças: curioso e atento. É preciso seguir em frente e fazer o sonho caber no orçamento, que precisa de mais apoio.
Aliás, os soldados da borracha de carne e osso são um bom exemplo para isso: passaram 44 anos sem nenhum benefício de aposentadoria e não desanimaram. Ainda esta semana, um grupo deles planeja ir à Brasília para pedir reajuste da aposentadoria e 13º salário, que não têm até hoje. Segue uma foto de uma estátua de um migrante no mercado central de Rio Branco, diante da passarela para o Segundo Distrito. É uma espécie de síntese dessa passagem da tradição para o moderno e desse momento em que os soldados, sim, continuam a marchar.